O ponto de vista de quem produz a Feira de Pequenos Cervejeiros

19/05/17

Em meados de 2016. Eu ainda trabalhava na Comuna quando decidimos parar de vender cerveja artesanal em garrafa. Era um desafio resolver a equação entre os produtos artesanais de qualidade com alto custo, e um bom preço ao público que frequenta a casa. Com isso, as garrafas do cardápio deram espaço a três torneiras de chope dedicadas à produção artesanal e local. Uma mudança que abriu novos caminhos sobre como trabalhar esse tipo de produto na rua Sorocaba 585.

Nos questionávamos, ainda em julho de 2016:
– E se a gente chamar alguns parceiros cervejeiros que já temos na casa?
– Que tal buscar um pessoal que faz cerveja na panela?
– Podíamos fazer uma brassagem no dia!
– Por que não fazer uma feira apenas de cerveja artesanal?
– Pequenos negócios, grandes cervejas (nossa, esse é o pior slogan do mundo).

Mas a ideia era boa. Junto com Raí Mendes, na época meu companheiro de trabalho no bar (ele também saiu da Comuna depois, apesar de seguirmos juntos na produção da Feira de Pequenos Cervejeiros), planejamos a estreia para novembro. Um pé d’água adiou para o mês seguinte e, finalmente, conseguimos realizar o primeiro experimento no dia 4 de dezembro. Um encontro que deu início a uma série de parcerias e conexões que se fortalecem a cada edição.

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A movimentação na porta da Comuna – rua Sorocaba 585, em Botafogo
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Os participantes da 1ª Feira de Pequenos Cervejeiros

Conhecemos a equipe da LEMA (Liga de Empreendedorismo e Alimentos da UFRJ), que chegou junto com seus projetos voltados para jovens que querem produzir no mercado de alimentos, como o curso de empreendedorismo no ramo cervejeiro e as visitas guiadas em fábricas como a da Cervejaria Fraga. A Enigmalte se prontificou a comandar a brassagem ao vivo de cada edição: já foram produzidas uma Black IPA, uma Porter e, na última edição, uma Red IPA em homenagem a St. Patrick’s. Suas criações são vendidas na feira seguinte.

Juntos, fizemos o primeiro Concurso de Microcervejarias Artesanais na última feira, em março desse ano, organizado pela LEMA e patrocinado pela Enigmalte. Uma competição que criou um ambiente rico de troca de conhecimento e conexões entre os cervejeiros. Ao todo, 12 participantes apresentaram suas APAs (tema do concurso). A Mateka foi a vencedora do concurso, que inclusive participa do próximo evento.

Os cervejeiros têm sido essenciais no desenvolvimento do evento. Em três edições, já tivemos 15 participantes diferentes com mais cinco novidades presentes nesta quarta edição. Sempre dispostos a nos ajudar, participar e evoluir a proposta da feira, a ponto de criarem proativamente uma equipe de voluntários. A produção cervejeira vai muito além das tradicionais APA, IPA e Wiess. Estamos vendo uma pesquisa constante para trazer novas experiências ao público: WitIPA, saison imperial, farmhouse ale, smoaked porter, pilsen com maracujá e wee heavy são alguns dos estilos que vimos por aqui.

Para Bruno Mesquita, da Cervejaria Mito, que participou de todas as edições até agora como produtor e voluntário, o sucesso do movimento não é surpresa: “São vários pequenos produtores trazendo novidades. As pessoas que compareceram estavam super interessadas em conhecer mais sobre as cervejas. A expectativa para o futuro é a melhor possível, uma vez que abre portas sempre para novidades. É definitivamente, um evento para quem gosta de cerveja”, conta Bruno.

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Cervajearia Therezinha, que vendia na rua Sorocaba e entrou para a feira.
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A sede por uma gelada…
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Brassagem da Enigmalte. As cervejas produzidas ao vivo são vendidas na edição seguinte.

Neste link, recebemos os cadastros dos cervejeiros interessados em participar da feira. Mas a coisa foi crescendo mesmo no bom e velho boca-a-boca. A Roquette chegou por indicação da Cervejaria Mito, que foi indicado pela Kurumã, e assim por diante. Tem o caso da Therezinha, que vendia cerveja na rua, na porta da Comuna, e se tornou um dos mais ativos cervejeiros da feira. Ou também no curso de cerveja que fizemos da LEMA e conhecemos a Maracajá. De forma orgânica, fomos conectando e conhecendo paneleiros de dentro e fora do Rio de Janeiro, criando um ambiente de negócios e, acima de tudo, muita amizade.

Outra curiosidade é a parceria com a Cozinha Comuna. Foi na feira que eles realizaram os primeiros testes do novo cardápio, lançado em abril deste ano. No dia 21 de maio, vamos realizar a 4ª Feira de Pequenos Cervejeiros com o cardápio dos novos hambúrgueres que aproveitam quase todas as partes do boi.

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Primeiros testes do novo cardápio da Cozinha Comuna: X-Lasanha sold out!

A Enigmalte segue fazendo a sua brassagem pública e a LEMA continua nos dando o apoio de sempre. Vem aí mais um dia de pequenos negócios e grandes cervejas. O slogan pode ser ruim, mas as relações e o comércio é bem verdadeiro em nossa pequena feira.

Mais informações sobre as próximas feiras: comuna.cc/fpc

Texto por Victor Galvão, um barman apaixonado por cerveja que trabalhava no bar da Comuna e agora está em São Paulo em busca de novos desafios. Produz a Feira de Pequenos Cervejeiros em parceria com Raí Mendes e Comuna.

 

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