O ecosistema do Dekmantel Rio 2018

3/10/18

O Dekmantel tomou gosto pelo Brasil. Essa é a segunda passagem dos holandeses pelo país só em 2018. Em março, o festival de dois dias em São Paulo reuniu os maiores nomes da música eletrônica na cena local e global. De volta em outubro, viajam o país com o Brazil Tour passando por Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre e Itajaí.

Quem pesquisa música e gosta de pista, sabe da relevância que tem a rede de DJs e produtores do selo. Em mais uma parceria com a Comuna, que produziu a festa de 2017 com Marcel Dettmann, Cashu, Carrot Green e DSS, a edição do Dekmantel Rio cria um ecosistema particular entre aqueles que conduzem a narrativa sonora da festa no Rio: Bufiman, Selvagem, Valesuchi e Dekmantel Soundsystem.


Valesuchi já tinha tocado no palco Na Manteiga do Dekmantel em São Paulo, estava no modo fervo e curtição do festival. Tanto que nem se preocupava mais com o celular. Até que olhou para a tela verde do zap e viu a caixa lotada de mensagens à sua procura. “Cadê você, Valentina?”. Leu com quase uma hora de atraso, mas ainda em tempo de aceitar o convite para tocar dali a pouco na mesma noite. Um chamado para ela abrir o after do Dekmantel para Nina Kravitz e Marcel Dettmann. “Respondi: claro!”, conta Valentina rindo da própria lembrança. “Sou fominha pra tocar. Piora a cada dia”.

A pista era embaixo de uma ampla arquibancada do Jockey de São Paulo. Em apenas meia hora de portões abertos o espaço já estava lotado e o público com aquela sede de after depois de dois dias de festival. Quando chegou com a mala de discos para tocar na sequência, Marcel Dettmann se deparou com a Valesuchi levantando a pista. De braços cruzados, o produtor alemão fixou o olhar e manteve a cabeça batendo energicamente – em setembro, a Valesuchi tocou pela primeira vez na Berghain, em Berlim, na noite de residência do próprio Dettmann, é provável que a viagem à Alemanha tenha começado com o set impecável da chilena naquele after.

“Nesse dia senti uma energia muito parecida com a primeira Selvagem que toquei no Rio”, conta a produtora sobre sua estreia carioca, em maio de 2016, para mais de mil pessoas em um galpão no Centro. Dois anos depois, a moradora da Glória já fala um português carioca com o mesmo domínio do CDJ.

Como disse a Vale lembrando sua entrada na Guanabara, a Selvagem tem um papel fundamental na cena de música eletrônica no Rio. São poucas as festas que sobrevivem a cidades tão hostis à produção e fomento da cultura noturna, Como São Paulo e Rio. São quase seis anos de projeto. Qual o segredo? Deve ser a viciante pesquisa musical de Millos Kaiser e Trepanado, tão bem expressa na mesa de DJ ou através dos lançamentos em vinil da própria label, a Selva Discos. Discos que provocam a memória e celebram artistas muitas vezes esquecidos na história.

Como o caso de Maria Rita Stumpf, que teve uma celebrada apresentação ao vivo no Dekmantel Festival São Paulo de 2018, projetado pelo lançamento em vinil pela Selva Discos de “Brasileira”. Esse foi o pontapé de uma série de lançamentos que começam na pista de dança e vão direto para as estantes de discos de colecionadores, produtores e amantes de música pelo mundo. O caso mais recente o edit de Baianá, do Barbatuques, feito por Jan Schulte aka Bufiman (que também assina suas produções como Wolf Müller). Quem frequenta a Selvagem já dançou essa música nos anos recentes. Em julho, prensaram o vinil “Baianá (Brasingles vol. 2)”, quarta bolacha da label.

No release do selo sobre o edit de Baianá, descrevem o estilo de Jan Schulte, o produtor alemão com codinome Bufiman que toca no Dekmantel Rio desse ano: “conhecido pelo gosto por ritmos tropicais, escutou a música e decidiu adicionar elementos de sua biblioteca ‘drumdrops’. Em sua performance como Bufiman no Dekmantel Boiler Room 2017, tocou Baianá para um público em êxtase. E tem sido desta maneira em qualquer lugar que essa música toca”.

Veja no vídeo a apresentação do Bufiman, Baianá entra com 33 minutos de set.



E também vem da Selvagem a conexão do duo Thomas Martojo e Casper Tielrooij com a Guanabara. A dupla do Dekmantel Soundsystem, uma das principais forças musicais do selo de Amsterdã, estava por aqui em 2016, pleno baile da Selvagem de Carnaval na Gamboa, na Quadra da Vizinha Faladeira. Se encantaram com a catarse do baile. Desde então se aproximaram com a Selvagem indo tocar na Holanda. E o Casper vindo tocar na última Selvagem de Carnaval para mais de seis mil pessoas, na Quadra da Unidos da Tijuca.

Casper Tielrooij (Dekmantel Soundsystem) na Selvagem de Carnaval 2018

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